São Paulo, março de 2007

Quando cheguei em São Paulo, em 1977, pela Castelo Branco, atravessando a marginal do Tietê, eu nem sabia fazer a minha barba, eu tinha 17 anos. Na marginal do Tietê eu vi as fábricas, a sede do jornal “O Estado de São Paulo”.
Naquela época, nas ruas, o povo clamava por democracia, justiça social. Já se falava dos desmandos da ditadura militar.
Eu e meus amigos íamos as cantinas do Bexiga comer comida italiana. À noite íamos aos bares ouvir música popular brasileira. Varávamos a noite em busca de amor.
Meus primos trabalhavam como jornalistas. Às vezes eu ia com eles em busca de matérias. Íamos ao Parque Antártica, ao Pacaembu e ao Morumbi.
Depois de me formar em arquitetura, em 1982, regressei a São Paulo quando conheci os arquitetos: Vilanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha, Silvio Savaia, Oscar Niemeyer. Eu vi as curvas do Copan, o parque do Ibirapuera, o Masp, o terraço itáli etc.
Em 1984 eu estava na praça da Sé no comício pelas diretas.
Trabalhei em São Paulo até 1991 como pintor, arquiteto e poeta. Vi quadros de Sérgio Ferro, Marcelo Grasmann, Mário Gruber, Cláudio Tozzi, Alberto Teixeira. Vi surgir o Memorial da América Latina. Vi seus poetas: Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Augusto de Campos e Haroldo de Campos.
Vi o povo nas ruas, no Vale do Anhangabaú e na avenida Paulistana, na praça da Sé, nas fábricas.
Acho que me fiz em São Paulo. Caminhei em São Paulo, caminhamos em São Paulo… até o crepúsculo.
São Paulo nasce todos os dias e se faz dia após dia.

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