{São Paulo, 1988}
Com a boca no chão,
Na canela das pessoas,
Fazer poesia com a sombra.
Poesia com migalhas
Das pessoas.
Pegar o chão e trabalhar,
No submundo, na periferia da vida.
Poesia com migalhas
Na altura da perna das pessoas.
Fazer poesia.
Como os negros
Que fizeram o samba,
A feijoada,
A capoeira.
Negros fizeram vida na escravidão,
Mastigando a sobra.
Faço poemas no chão.
Enfrento o Minotauro,
A traiçoeira rainha negra.
Faço poemas no chão.
Para se libertar é preciso viver,
É preciso criar.
Por isso há, em cada verso que encontro,
Uma proposta de liberdade.
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