{São Paulo, 1988}
Homens que não tomam sorvete.
Homens que não sabem o sabor da comida.
Homens que não saem à noite.
Homens que não passeiam.
Homens que não vão à boate.
Homens que não ganham presentes.
Homens que não dançam.
Homens sem histórias de amor.
Homens sem marcas de amor.
Homens que passam a vida sem nada.
Casca dura no meio das construções.
Casca dura e triste,
Sem lágrimas,
Sem sorriso,
No meio de construções de concreto.
Homens que a gente não vê
Dormindo num canto qualquer.
Sem colchão, sem carinho,
Num canto que ninguém quer.
Homens que a gente não vê,
Com história dura, vazia.
Homens que morrem na rua,
Talvez num “estatístico acidente”.
Homens que passam a vida sem nada.
Homens que vivem sem mulher.
Homens que passam a vida sem beijos.
Homens que passam a vida sem carinho.
Homens que fazem parte do mundo.
Homens, de fato,
Personagens reais.
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