Sou poeta

{São Paulo, 1987}



Sou poeta
E assim como Bandeira,
Serei
A vida inteira.

O papel é meu instrumento,
As palavras são o meu campo,
Folha é o outro nome do papel.
Folhas voam com o vento.

Folhas e folhas –
Malditas, divididas,
Emparedadas e românticas,
Vieram com o vento.

Já não sei o que digo,
Se é meu ou do seu amigo,
Sei que vinham versos.
Vinham versos sem parar.

Nas piores horas,
Versos me consolavam.
“escrevo versos como quem chora”
Palavras se mexem no meu corpo.

Gosto muito do Chico,
De suas canções
Dizendo coisas que vivi,
Coisas de jovem apaixonado.

Folhas e folhas –
Malditas, divididas,
Românticas e emparedadas,
Vieram com o vento.

Assim como é Caetano,
Sou poeta.
Ele passou por aqui
E me viu surgindo numa noite de garoa.

Baudelaire, Baudelaire,
Assim como você,
Roubaram o meu coração.
Sei o que é um espelho negro.

Conheci o inferno!
Dos raios do sol e da vida me alimentei,
Sereno.
Elevei aos céus meus braços religiosos.

Saúdo-te, Álvaro de Campos!
Poeta maluco.
Põe em linha reta…
Poeta sublime.

Também levei porrada,
Fui vil
E me afastei da possibilidade do soco.
Também sou gente nesse mundo.

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