{São Paulo, 1986}
Os poetas não são grande coisa…
Andam soltos pelo mundo
E as coisas surgem neles.
Alguns bebem,
Outros passam a noite em claro.
Alguns quase não saem de casa.
Quando eles sentam à máquina:
“É o luar que atua desvairado” (*)
É uma mulher cheia de amor;
Um cavalo comendo uma égua no pasto;
Um homem solitário em busca de alguém;
O pólen em busca de flor;
O caipira ordenhando uma vaca;
A mãe à espera do filho em viagem;
O operário chegando em casa;
Uma rosa que desabrochou;
Dois homens brigando na rua;
O café da manhã e a cerveja ao entardecer;
Uma adolescente dançando na boate;
O beija-flor passeando no jardim;
A lembrança de um amigo que se foi;
O desejo de rever uma mulher;
A presença de um grande amigo;
A solidão de quem não se sabe;
Pessoas comprando presentes de natal;
Prostitutas se mostrando nas ruas;
Um enterro;
Alguém tentando novamente;
Um país desenvolvido;
Um país se desenvolvendo;
Um cão guiando um cego;
Uma cadela no cio;
Uma galinha chocando;
Uma festa de formatura;
Um travesti mostrando os seios;
Todos os trabalhos de todos os homens;
O ócio de quem se prepara;
Um vagabundo pedindo esmola;
O pobre presidente de uma multinacional;
Um pássaro enfeitando o céu;
As estações do ano;
O nascimento de uma criança;
O dia e a noite cheia de estrelas a nos guiar;
A terra quente de sol
E a chuva que vem acariciá-la.
(*) Verso de Vinícius de Moraes
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