Não se destroem belas canções

{São Paulo, 1992}


Não se destroem belas canções.
Não se destroem veias
De libertações.

Não se destroem belas canções.
Não se mata o encanto.
Não se sufoca o pranto.

Pede, um encanto, um canto;
Um seio, um beijo;
Um pranto, um lamento.

Reinam sublimes as catedrais.
Seguem os homens com os seus sonhos
De provar edifícios à viagens espaciais.

Pede, o rival, a resposta;
A amiga, uma palavra;
Uma mulher, um homem;

Pede, a razão, a vida;
A solidão, um amigo;
O amigo, um abraço.

A lua brinca encantada
Sobre os nossos trilhos.
A tempestade amedronta.

“Sim”, dizem os amigos que fizeram.
O sol brilha
E aquece meu corpo.


A matemática entrou pela janela.
Vontade de revê-la,
De afirmar o mundo inteiro.

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