Mercedes só

{São Paulo, 1987}



“Meu nome é Mercedes Só
Estou sempre só!
Vivo só!
E não consigo ficar só!
Não tenho amigos,
Também não tenho amigas,
Ando só!
Estou cansada de ser só!

Os homens me querem,
Só por uma noite,
Depois nem cumprimento,
Conversem comigo.

Estou cansada dos homens.
Só pensam em transar.
Em me usar,
Não sinto mais nada!

Mercedes Só dobrou a esquina,
Não viu as árvores do jardim,
Nem a lua,
Não viu nada.

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