{São Paulo, 1988}
Não, não há vagas para poetas
Nos classificados de empregos.
Há vagas para engenheiros,
Médicos, auxiliares,
Vendedores e corretores.
Não, nenhum anúncio.
Ainda não estão precisando de poetas.
Mas eu canto, mais eu canto!
“Não”, disse o porteiro –
“Não há cartas para você!”.
Nenhuma resposta da editora
Cujos versos enviei há setenta dias.
Nenhuma resposta para versos
Que não dão lucro.
Não são bestsellers, não são romances,
Mas eu canto, mais eu canto!
Lá vão as pessoas pela cidade.
O homem vai à padaria.
O namorado compra flores.
Amigos tomam cerveja.
A madame vai ao supermercado.
Nas universidades, jovens querem saber.
Nas ruas, homens lutam pelo poder.
Faço versos sem querer.
Fecharam os olhos para a poesia,
Embora haja poesia em toda a parte.
Os homens passam o tempo em negócios,
E o que é negócio é ócio!
Os homens merecem muito mais que pão!
Por isso eu canto, mais eu canto!
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