{Jaú, 11 de novembro de 2004}
Quando cheguei em Jaú, em 1992, logo notei as mudanças que haviam ocorrido na nossa sociedade. O homem do campo, os grupos que viviam em fazendas já não estavam mais lá. A cana-de-açúcar e a lavoura mecanizada haviam substituído a mão-de-obra da fazenda. Os homens migraram para as cidades e os grandes centros urbanos.
Agora as outras profissões como de vendedor, corretor, tomaram conta da cidade e o homem do campo não tem mais utilidade. Mesmo em Jaú, cidade agrícola, muitos homens e mulheres migraram para os grandes centros.
Em 1992 eu encontrei o Zé Luiz Pires, cuja família tinha muita tradição na criação de cavalos mangalarga. Vários cavalos da terra do seu Lourenço Pires (pai do Zé Luiz) haviam sido consagrados campeões.
Sempre foi bom encontrar Zé Luiz pela rua, ver a sua alegria e a felicidade que ele sente ao cuidar dos animais.
Certa vez havia chovido muito e ventava, o Zé Luiz disse:
– É bom que venta, Zé! Assim a terra seca mais rápido.
Uma vez mexendo no meu livro que relatava cenas de sexo, o Zé Luiz brincou:
– Você só escreve besteira, Zé.
O Zé Luiz sempre insistia na qualidade dos animais, criticava os criadores de manga-larga do andar do cavalo por estarem mudando a raça dos mangalargas.
Certa vez encontrei o Zé Luiz e seus amigos na rua. Os costumes mudaram muito. Ele tem aproximadamente 70 anos. Na mocidade, ele e seus amigos iam namorar a cavalo. Eu disse brincando:
– Eu sonhei que nossas mulheres estavam voltando para nossa terra.
– Que sonho lindo! Que sonho lindo, Zé! respondeu o Zé Luiz.
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