Alfredo e Mariana

Em agosto de 1984, num show de rock, Alfredo havia conhecido Mariana. Ele havia saído do trabalho, ela vinha de uma festa.
Combinaram de se encontrar no dia seguinte. Alfredo foi com Mariana e alguns amigos a um bar. Na volta, os dois se separaram do grupo e se beijaram, caminharam até o jardim do prédio de Mariana e sentaram num banco.
Mariana, com 21 anos, falou da vida dela, que havia sofrido muito.
Alfredo tocou o corpo de Mariana que parecia totalmente entregue. Quando pôs a mão no pescoço de Mariana, ela pediu:
– Não me toca aí que me lembra uma coisa que eu não gosto.
Alfredo olhou nos olhos de Mariana, viu muito sofrimento no rosto daquela moça e decidiu:
– Vou sair com ela sem necessariamente trepar. Vou fazer essa moça feliz.
Uma vez foram ao show da Marina. Foram ao cinema. Um dia ela disse:
– Eu gosto de você, eu acho você um cara legal!
Alfredo, que se conhecia muito pouco, respondeu:
– Eu ainda não sei!
Aos poucos, Alfredo estava totalmente envolvido pela moça. Queria amá-la, sim, queria amá-la, mas não num motel, queria amá-la ao meio dia. Tão puro e verdadeiro era o seu amor.
Um dia surgiu um intruso, humilhou Alfredo e levou a moça para não se sabe onde. Alfredo perdeu o rumo, queria recuperá-la, queria recuperar a si próprio, tudo que havia sido perdido numa noite de violência.
Mariana se arrependeu, ela gostava de Alfredo, queria ajudá-lo, mas ele já não era mais o mesmo.
Certa vez eles se encontraram e se amaram desesperadamente.
Depois Alfredo foi fazer tratamento médico, voltou a trabalhar. Às vezes Alfredo tirava algumas canções que a vida e o amor lhe traziam.
Os anos se passaram até que a família de Alfredo resolveu interná-lo, pois ele não parava em nenhum emprego.
Às vezes ele escrevia canções de amor e algumas dessas canções foram parar na mão de Mariana.
Em 1998, Mariana com saudades, agradecida pela canção, veio visitá-lo.
Um louco que odiava Alfredo, apunhalou a moça sem que Alfredo percebesse.
Mais tarde, percebendo o que havia acontecido, Alfredo recebeu o gesto de amor de Mariana, lembrou dos seus cabelos, de suas lágrimas, do seu jeito de respirar, do esforço que ela fez para que voltasse a si.
Alfredo perdoou a atitude do louco e depositou uma flor no caminho que Mariana passou.
Mariana representava todas as moças que saíam em busca de amor, de onde nasciam as flores que encantavam as cidades.
Alfredo saiu à rua e estendeu suas mãos aos homens que saiam para conversar, em paz.
A história de Mariana e Alfredo atravessou a rua, a cidade e é contada nas noites de luar, acalmando os desesperados e aquecendo o rosto dos homens durante a noite.

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